Como você lida com insubordinados?
PANORAMA GERAL
Sem os pensadores de ideias irreverentes, que desafiaram o status quo, o mundo e a humanidade não teriam dado os grandes saltos de evolução que nos fizeram chegar até os dias de hoje. Se avaliarmos Galileu Galilei, Leonardo da Vinci, Albert Einstein, Marie de Curie ou Mahatma Gandhi, dentre outros, podemos observar que na sua origem eram considerados “fora” do sistema, “descolados”, insubordinados. Todos praticaram a dissidência de forma a superar o medo e a desconfiança para substituir ideias comumente aceitas por algo diferente que permitiu construir pensamentos e sociedades que funcionassem melhor para o maior número de pessoas possível.
É desse tema que trata o livro “A Arte da Insubordinação” de Todd B. Kashdan, no qual se baseia este artigo. Segundo Kashdan, a insubordinação de princípios é um tipo de não conformidade destinado a melhorar a sociedade com uma quantidade mínima de danos secundários. Insubordinados com princípios procuram criar impulso para ideias dignas e importantes. Existe diferença entre a insubordinação imprudente e a de princípios. Se você está contribuindo para a sociedade a partir de um lugar de autenticidade, considere sua rebeldia como princípio. Porém, por mais importantes que sejam as ideias inconformistas, os insubordinados não podem esperar que o mundo os receba de braços abertos. Pelo contrário, se você é um rebelde de princípio, esteja preparado para muita contestação.
TENDÊNCIA À CONFORMIDADE
O primeiro grande desafio dos insubordinados é superar a resistência interna do ser humano às mudanças. Além disso, somos criaturas tribais que podem sacrificar as novas propostas pela afiliação a grupos. O pensamento tribal nos leva a aplicar uma “penalidade de novidade” aos pensadores de ideias diferentes.
Nas últimas décadas, psicólogos sociais e acadêmicos de outras disciplinas registraram o quão poderosa é nossa tendência à conformidade. Os cientistas investigaram a dinâmica emocional específica que nos leva a realizar atos idiotas e autodestrutivos para sermos amados.
Segundo Kashdan, devemos considerar quatro “impulsionadores” psicológicos que alimentam nossa conformidade voluntária:
- Sentimo-nos tranquilos pela familiaridade do status quo.
- Diante das ameaças sistêmicas, esquecemos nossas críticas e aumentamos o apoio ao status quo.
- Nos sentimos dependentes do status quo. Defendemos o status quo porque o grupo do qual fazemos parte satisfaz nossas necessidades básicas de nos sentirmos compreendidos, validados e competentes.
- Mesmo vivendo situações negativas, o ser humano costuma manter a esperança de dias melhores à frente. Quando nos sentimos esperançosos, não vamos apenas tolerar o sistema existente, mas aceitá-lo, defendê-lo, justificá-lo e protegê-lo.
É da natureza humana consentir com práticas e crenças de longa data e amplamente aceitas. Os pretensos insubordinados entre nós devem reconhecer essa realidade para que possam lidar com ela e, finalmente, superá-la. O restante de nós também deve manter a mente aberta ao lidar com dissidentes, para que possamos superar nossa resistência interna à mudança e apoiar o progresso.
IMPORTÂNCIA DE TERMOS INSUBORDINADOS NOS GRUPOS
Devemos considerar que a própria presença de inconformistas nos empurra para a frente, mesmo quando discordamos deles e mesmo que as soluções propostas por eles estejam erradas. A insubordinação de princípios torna os indivíduos mais racionais e os grupos mais criativos e produtivos.
Algo especial acontece quando temos pelo menos um dissidente em nosso meio. Não se adota o padrão robótico de presumir que o dissidente está certo. Em vez disso, o grupo se sente motivado a contemplar uma questão com mais cuidado e considera que o dissidente pode ter boas razões para defender uma posição contrária.
Além disso, a presença de insubordinados de princípios fomenta a criatividade. A criatividade não é um dom inato. É uma forma de pensar. Interagir regularmente com aqueles que têm visões inconformistas nos leva a uma mentalidade criativa. Com os rebeldes expondo abertamente visões alternativas e impopulares, os grupos se tornam melhores do que a soma de suas partes.
Por tudo que foi falado, vemos a importância de trazer dissidentes para o convívio em nossas equipes. Ao se expor ao ponto de vista de um dissidente, as pessoas se abrem para testar a realidade e levantar questões sobre seus próprios pontos de vista. Com rebeldes exibindo visões alternativas e impopulares, um grupo reduz seu viés de confirmação e aumenta a produção criativa.
Torne a receptividade seu padrão. Você não precisa concordar com todos os inconformistas por aí. Apenas ouça-os em vez de expressar suas velhas opiniões como um monólogo.
Quer aceitar melhor insubordinados de princípio ou ser mais aceito quando você for um dissidente?
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